Governo de Minas Gerais oferece curso inédito para pessoas com Síndrome de Down
Iniciativa pioneira no país promove inclusão produtiva e possibilita que os alunos se formem em curso do Pronatec; Estado mantém diversas ações para pessoas com deficiência
Publicado: 24/10/2017 12:14

Divulgação
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Na sala de aula, os 20 alunos do curso de Recepcionista de Eventos aprendem formas de tratamento e noções de boa postura. Durante três meses, eles terão aulas de segunda a quinta-feira, das 13h às 17h, em um curso com 200 horas de conteúdo. Até aqui, nada de novo. Mas basta um olhar mais atento para perceber que a turma é especial: os alunos são pessoas com Síndrome de Down, doença genética que causa deficiência intelectual.

A iniciativa do Governo de Minas Gerais é inédita em todo o país. Os alunos fazem o curso pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), em uma parceria entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sedectes) e a Prefeitura Municipal de Pedro Leopoldo, município onde as aulas estão sendo ofertadas. 

“O mercado de trabalho já absorve bem o trabalhador com deficiência motora, mas quem tem limitações cognitivas fica de fora. Então, tivemos a ideia de criar este projeto piloto, para a inclusão dessas pessoas”, explica a superintendente de Ensino Tecnológico e coordenadora do Pronatec na Sedectes, Cristiane Saldanha.

A professora Cleusa Benfica, que já fazia um trabalho voluntário com alunos Down, afirma que ensina e também aprende muito com a turma. “Tudo que eu planejo para dar em sala de aula, muitas vezes tenho que repensar. Preciso ter um plano A, B, um C e até um D para ensiná-los o conteúdo do curso dentro das possibilidades deles. É um desafio, mas muito gratificante”, conta. Ela completa que o principal para a profissão eles já têm: sorriso no rosto e muita simpatia (Ouça aqui o depoimento de Cleusa).

No dia 1º de novembro, a turma vai testar, em alto estilo, os conhecimentos adquiridos. Eles vão recepcionar o público na Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia (Finit), que acontecerá no Expominas, em Belo Horizonte, de 31 de outubro a 4 de novembro deste ano.

O aluno Felipe Augusto Pereira, 23 anos, não esconde a animação. “Já aprendi a falar seja bem-vindo, bom dia, boa tarde. O curso mudou a minha vida, todo dia eu chego com uma notícia boa para os meus amigos. Receber as pessoas vai ser muito bom”, comemora (Ouça aqui o depoimento de Felipe).

Já a aluna Deborah Rudinelli, 29 anos, diz que o que mais gostou de aprender até agora foi trabalhar em equipe. “Depois do curso, eu vou começar a trabalhar. Consegui um emprego na Apae daqui de Pedro Leopoldo assim que terminar. Minha vida vai mudando e eu sempre fico muito feliz”, conta. No dia 21 de dezembro, os alunos concluirão o curso e receberão o certificado em uma formatura.

No Pronatec, eles recebem, além de material didático e uniforme, uma ajuda de custo para transporte de R$ 9 por dia, além de alimentação na escola.

Veja um pouco da aula da professora Cleusa:

Inclusão social e produtiva

Além dessa iniciativa, o Governo do Estado dispõe de outros programas e serviços para pessoas com diversos tipos de deficiências. É o caso, por exemplo, do Dia D, promovido pela Secretaria de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), que aconteceu no dia 29 de setembro. Mais de 400 pessoas com deficiência (PCDs) e reabilitados do INSS compareceram ao posto especial do Sistema Nacional de Emprego (Sine), montado na Assembleia Legislativa.

No mesmo espaço, estavam reunidos empregadores sujeitos às exigências da Lei de Cotas, e PCDs, que, após o processo de entrevista no Sine, foram encaminhados para as empresas para finalizar a contratação. Até o dia 2 de outubro, de acordo com o Sine, já foram oferecidas, este ano, 1.578 vagas para profissionais com deficiência nos 128 postos do Sine coordenados pela Sedese. Deste total, 4.746 foram encaminhados para vagas e foram contratadas 494 pessoas com deficiência.

Centrais de libras

Conforme o censo do IBGE de 2010, Minas Gerais possui cerca de 1,1 milhão de pessoas com deficiência auditiva ou surdas. E, para facilitar a comunicação dos deficientes auditivos, Minas Gerais tem três Centrais de Interpretação de Libras (CIL), em Belo Horizonte, Juiz de Fora e Uberlândia.

No local, os intérpretes prestam assistência presencial e acompanham pessoas surdas, servindo de intérpretes e tradutores em bibliotecas, hospitais, consultas médicas, dentista, bancos, Procons, tribunais, INSS e outros serviços públicos. Os serviços prestados são gratuitos.

As Centrais têm gestão compartilhada pelos governos federal, estadual e municipal. O Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), é responsável por equipar as instalações e pela contratação dos intérpretes.

Atendimento em libras

Ainda como parte das ações voltadas para pessoas surdas, uma parceria entre a Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese) e a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) vai capacitar 720 servidores estaduais, que atuam em 131 postos de atendimento do Sine em todo o estado, para se comunicarem na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os profissionais serão capacitados para garantir à pessoa surda que busca colocação no mercado de trabalho o diálogo necessário para que suas necessidades sejam atendidas e respondidas.

Equipamentos adaptados

Em setembro e outubro, o Governo do Estado, por meio da Sedpac, entrega equipamentos de informática adaptados para 25 Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa com Deficiência (CMPCD). Os kits foram adquiridos em parceria com o Ministério Público do Trabalho e contêm computadores, impressoras e projetor multimídia.

Os conselhos que trabalham com a pauta da pessoa com deficiência têm como finalidade definir a política municipal de interesse dessa população e promover atividades que contribuam para sua efetiva integração cultural, econômica, social e política. Para o secretário da Sedpac, Nilmário Miranda, a expectativa é reforçar o desempenho das funções e das atividades. “A ação faz parte de nossa meta de fortalecer esses colegiados, especialmente os que são menos lembrados”, afirma.

Bibliotecas estaduais

Minas Gerais tem mais de 200 bibliotecas que disponibilizam, em seus acervos, algum tipo de serviço voltado exclusivamente para as pessoas com deficiência visual, como empréstimos de livros em braille, audiolivros, entre outros. Algumas destas têm um setor específico de braille em seus espaços, completamente dedicado aos usuários deficientes visuais.   

O setor Braille da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, em Belo Horizonte, por exemplo, tem em seu acervo cerca de 2.300 livros em braille, 1.400 audiolivros – compostos por arquivos de som no formato MP3 –, e 40 filmes com audiodescrição. Semanalmente, entre 80 e 100 usuários frequentam o local em busca dos títulos disponíveis.

No local, os usuários cadastrados têm acesso à informação e à literatura por meio de livros acessíveis, entre eles clássicos da literatura brasileira e estrangeira, além de periódicos, livros informativos e outras obras, que podem ser consultadas no local ou retiradas para empréstimo.