Ambiente brasileiro de inovação perde um de seus grandes incentivadores
Entre os maiores pesquisadores do país, Marcos Pinotti morre na Rússia, deixando um legado de grandes avanços para a ciência e o cenário de empreended
Publicado: 25/01/2016 10:06


“Uma pessoa multitarefa.” É assim que Ronaldo Tadeu Pena, ex-reitor da UFMG e Diretor-presidente do BH-TEC define Marcos Pinotti, uma das principais referências no cenário de inovação e empreendedorismo tecnológico de Minas Gerais. Pinnoti faleceu nesta quinta-feira (21), aos 45 anos, em Moscou, capital da Rússia, deixando o ambiente de inovação do país em luto.

Pinotti ficou conhecido por sua atuação na pesquisa científica e contribuição à inovação. Visto como um dos mais importantes pesquisadores do Brasil, ele deixa registradas mais de trinta patentes em produtos tecnológicos, contribuindo com o cenário de inovação através de projetos voltados para tecnologia, bioengenharia e pesquisa aplicada, entre diversas outras iniciativas de grande relevância para o desenvolvimento do país.

 História e contribuição

Marcos Pinotti graduou-se em Engenharia Mecânica pela Unicamp em 1989, onde se tornou mestre e doutor. Docente da UFMG desde 1999, possuía mais de 40 especialidades e publicou 65 artigos ao longo de sua vida acadêmica. Como professor da UFMG, foi um dos pesquisadores a receber o Prêmio Fundep, reconhecimento máximo de pesquisa concedido pela Universidade.

Além da importante contribuição que deixa para a pesquisa acadêmica, Pinotti impulsionou e coordenou diversos projetos de inovação ligados à Universidade. “Ele era uma pessoa excepcional, sempre disponível e pronto para ajudar no que precisasse”, reforça Ronaldo Tadeu Pena. Membro do Conselho Técnico Cientifico do Parque, sua participação ativa na gestão do espaço de inovação exemplifica sua relevância no cenário como um todo. “Pinotti estava sempre cheio de propostas e repleto de energia. A universidade e o país perderam um grande incentivador”, afirma.

 “Um grande estadista, sem nunca ter sido político”

Segundo o Dr. Ricardo Guimarães, Presidente da Fundação Hospital de Olhos e Diretor do Laboratório de Pesquisas Aplicadas à Neurovisão (Lapan), Marcos Pinotti sabia aliar diferentes competências e tinha a capacidade de falar uma linguagem de convergência que contribuiu para a construção de um futuro melhor.

Parceiros na criação do Projeto Bom Começo, considerado um exemplo de inovação com valor social, eles criaram juntos um sistema de inteligência voltado para ajudar estudantes com dislexia visual, problema que afeta cerca de 20% das crianças brasileiras. “Pessoas como ele são muito raras. Pinotti foi um líder que, como poucos, sabiam unir o ambiente acadêmico, com investidores e empresários, gerando um grande valor no Brasil e em Minas Gerais pela pregação que fez pela inovação”, destaca.

Um dos idealizadores e realizadores do Workshop de Inovação da UFMG, o pesquisador se destaca pela forma como inovou o ensino universitário. Segundo Guimarães, “sua importância passa tanto pela liderança que representou no cenário de inovação, quanto pelo valor que tinha como professor e cientista”.

Marcos Pinotti orientou quase 200 alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado ao longo de sua carreira acadêmica. Professor do Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG, coordenava o Lapan e o Laboratório de Bioenganharia (Lab-Bio), e foi eleito um dos 100 cientistas mais importantes do mundo da área de bioengenharia pela International Union of Societies Of Biomaterial and Engineering Sciences.

 

Confira as entrevistas do pesquisador para o Sistema Mineiro de Inovação (SIMI) e para o Portal UFMG.